"Este é o primeiro dia de uma
nova jornada, desta feita, a partir do outro lado da vida, onde o conhecimento é
adquirido por meio de um aprendizado contínuo. E, como todos os conhecimentos,
este também não é para ficar guardado numa caixinha de pandora da qual se
esconde a chave para que ninguém possa aceder O conhecimento construtivo, tenha a vertente que
tiver, é para ser transmitido, divulgado, ensinado. Só assim o homem evolui.
E o
que é a jornada humana senão uma tentativa de evolução imutável? Assim é o
propósito da existência. É desígnio desta escrita, que se pretende simples e
humilde, ajudar o ser humano, na sua condição, como tal, a encontrar aquelas
respostas que, como eu digo sempre, já habitam dentro de si.
O espírito na forma
humana é detentor de tudo o que o “ser” físico necessita para não passar pela
vida simplesmente deambulando.Convido a todos a perscrutarem no mais íntimo do
seu ser, permitindo-se conhecer, assumindo suas ditas virtudes e defeitos auto
catalogados, assumindo as responsabilidades pelo que são e pelo que fazem, sem
julgamentos auto impostos, sem auto crítica. Apenas observando silenciosamente
o seu mundo interior. Quando conseguir vislumbrar aqui e além um ponto, por mais
ínfimo que seja, e por mais que não gostem do que vêem, aí a esperança da
essência começa a florescer. Está conhecendo-se.
Quando se fala em esperança não se refere ao
intangível materialmente, ao que os sonhos mais recônditos acalentam de
palpável.Quando se fala em esperança, quer dizer a esperança do espirito, a
esperança que alimenta o mais divino que o “ser” tem. É aquele vestígio de que,
agora sim, o coração começa a desabrochar e onde a partir do momento tudo ao
redor se ilumina. A partir do instante em que a luz já brota no interior de
cada um, há que estar aberto a recebê-la, permitir-se expandi-la e se
permitir-se seguir esse foco de luz. Não há que temer o desconhecido, porque
esse apenas existe na mente física. O momento é o presente, não mais o ontem
nem o amanhã. Aquilo a que por norma é catalogado de “desconhecido”, é apenas o
resultado de uma construção
mental feita no presente antevendo, porém sem sucesso, o que poderá ser o
futuro. Nesta construção reside o temível desconhecido.
A partir do
instante em que a insatisfação se instala, a partir do instante que o mundo interior, onde estão as
respostas, se fecha para o mundo exterior, o homem tende a construir a dita
“infelicidade”, remetendo-se para um estado revolto, tal um redemoinho de águas
que gira em torno de si mesmo, não indo a lado algum, acabando por se afundar. O
mau estar se instala, tudo começa a parecer não fazer mais sentido, o mundo se
desmorono ao redor, o lamento ocupa lugar, o julgamento faz-se presente, e a
doença acontece. Num dado momento da vida de cada elemento que constitui a
humanidade, o questionamento sobre o porquê existirem; o porquê das coisas
acontecerem desta ou daquela forma; o porquê de ser assim ou de não ser assim
…, uma infinidade de questões povoam as mais ingénuas, inocentes, simples,
humildes, arrogantes, inteligentes… mentalidades.
Um exercício diário pode ser
implementado na rotina de cada um, numa simplicidade de intervenção: “Hoje vou
olhar de frente para com quem cruzar o meu caminho. Olhar no rosto, nos
olhos”. É um exercício simples. Não ocupa espaço nem tempo. E quando olhar com
olhos de ver realmente, verá o quão surpreendente é constatar que afinal aquele
homem, mulher, criança tem a dor, o sofrimento, o desânimo estampado no rosto e
no olhar perdido. Desta feita, “quão grandes poderão ser os meus desalentos
comparados com os do vizinho do lado?” Com que frequência já perguntou ao
companheiro do lado, conhecido ou desconhecido se precisa de ajuda? Esta
pretende ser uma mensagem de Amor. Amor Universal que só depende de cada um
fazer a sua pequena parte. Verão que a vida se torna mais acolhedora, esta
mesma vida que cada um constrói para si e por inerência para o outro".
